segunda-feira, 4 de maio de 2009

Você sabe que todas as palavras moram em uma cabaninha, bem aqui dentro do peito? É, elas moram.

Acho que saem quando têm vontade, e agora, bem, agora está muito frio pra isso.

Um senhor do prédio, no elevador, perguntou de onde eu era."De Curitiba não podia ser, que os curitibanos nem olham na cara da gente." Colega meu da pós disse que tenho a 'alma baiana', por conversar com pessoas nas ruas, nas cantinas, nas bibliotecas, nos pontos de ônibus.

Por aqui os 'descolados' ou seja lá o nome que se dê a eles, tomaram conta do espaço. São pessoas com um layou bem parecido. Mesmo estilo de roupa, tênis diferentes, cara 'blasê', penteados chamativos e a expressão 'nem te ligo'.

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Em São Paulo, mais do que aqui, não há tempo para olhar para o lado. Havia uma rua inteira, bem da grande, cheia de lojas de roupas boas e baratas. Gente saindo por todo lado, etiquetas com preços vistosos e homens anunciando "calças jeans, temos provador", como se provador fosse luxo.
Mas olha, mais do que roupas e preços baixos, havia dois cachorros mortos de fome e magros na calçada. Pense em um cenário todo da mesma cor. Suponha... azul. E pontos vermelhos que piscam e piscam. Pras outras pessoas eram as roupas os pontos brilhantes. Pra mim, os cachorros. Foi grande o mal estar quando segui em frente sem nada fazer. Nada, nada, nada.
Nada.
Nada. Percebe?
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Então, lá em São Paulo houve o trabalho em uma feira de tecnologia com empresários de terno e gravata. Sorrisos, explicação sobre a empresa, apresentação dos produtos, e, quem diria, despertei meu tino comercial. Ok, não nasci pra isso e me pego dando risada durante os treinamentos motivacionais para vendedores. Mas a aprendizagem existe, e tem sido maior do que qualquer outra coisa que se possa chamar de chata.
Ainda em São Paulo houve: amigos, avenida Paulista grande demais para o meu cansaço.
Houve outros dias após tudo isso, mas acabou o tempo, na mesma medida em que a paciência.

Um comentário:

  1. Incrível como São Paulo não é una. Moro aqui há muitos anos e a descrição do cachorro me chocou. São Paulo é muitas. "São Paulo é como o mundo todo", é verdade.

    Aliás, onde vc está agora?

    Beijos,
    Iara

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